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Cosntantin Stanislavski |
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Constantin Stanislavski nasceu na Rússia,em 1863, de uma família de comerciantes abastados. Ainda muito jovem sentiu-se atraído pelo teatro. Trabalhou durante muito tempo como ator amador, até que, em 1897, encontrando-se com Vladimir Danchenko, resolveu fundar com o mesmo o Teatro de Arte de Moscou, na direção do qual manteve-se durante quarenta anos. Conseguiu dar uma unidade e um novo espírito às representações do grupo, buscando um realismo que ele chamou mais tarde de realismo espiritual, um despojamento de falsas convenções e a criação sobre o palco de uma vida mais verdadeira e mais emocionante. O seu trabalho está ligado, intimamente, à obra do grande escritor russo Anton Tecékhov, cujas peças foram montadas por Stanislavski e seus artistas. Mas não se limitou ao âmbito do teatro realista, experimentando em várias direções, montando outros autores como Ibsen, Goldoni, Shakespeare e Molière. DA sua experiência como ator e diretor resultou o desenvolvimento de um “sistema” de trabalho que foi adotado pelos atores da sua companhia, a princípio com uma certa relutância. Mais tarde, Stanislavski aplicou o seu sistema à cena lírica e a espetáculos de estilos diversos. Viajou com a sua companhia pela Europa e os Estados Unidos, entre 1922 e 1924. Sua influência foi grande no teatro dos países que visitou. Em 1925 publicou o livro Minha vida na Arte. E três anos depois, por ocasião do trigésimo aniversário da fundação do Teatro de Arte de Moscou, interpretou pela última vez o papel de Veshinin em As Três Irmãs, de Tchekhov. Gravemente enfermo, reduziu as suas atividades ao trabalho de diretor e principalmente às pesquisas com cantores, pretendendo dar uma nova realidade interpretativa ao drama lírico. Os últimos anos de sua vida foram dedicados, em grande parte, a escrever sobre as suas idéias e experiências no teatro. Morreu a 7 de agosto de 1938, em Moscou.
Já no século XVIII, Lessing, crítico alemão, dizia: “Temos
atores, mas não temos arte de representar” A Formalização da técnica
de interpretação realizada por Stanislavski não constituiu um fenômeno
isolado É o resultado do interesse e da busca de muitos artistas, tais
como: Antoine, Copeau, Craig e outros, que tentaram fazer a revisão dos
princípios básicos da arte de representar. Os problemas da formação técnica
constituíam uma parte importante de suas preocupações. Os manuais dos séculos
XVII e XVIII tornara,-se obsoletos. Neles procurava-se aplicar
erroneamente os princípios da oratória ao trabalho de criação dos
atores e sua interpretação no palco. É de se notar que idéias
semelhantes perduram ainda em nossos dias, no ensino da arte dramática.
Coube a Stanislavski a importante tarefa de sistematizar os conhecimentos
intuitivos dos grandes atores do passado e de explicação ao ator
contemporâneo como agir no momento da criação ou da realização. O seu
sistema não é uma continuação das idéias expostas nos velhos manuais.É
antes uma quebra da tradicional maneira de ensinar. O trabalho do ator,
segundo o sistema de Stanislavski não equivale a um estilo de representação.
É, como qualquer técnica, um meio e não uma finalidade. É o próprio
Stanislavski quem diz: “Ele (seus sistema) só tem utilidade quando se
transforma numa segunda natureza do ator, quando este deixa de ser
preocupar com ele e quando seus efeitos começam a aparecer naturalmente
em seu trabalho”. A técnica deve ser absorvida e nunca aparecer na
realização. Esta é o resultado, e a técnica funciona então como estímulo
ao processo criador.
Em
1924, Elizabeth Hapood, estudiosa americana da literatura russa e seu
marido, Norman Hpgood, crítico de Teatro e editor, amigos de Stanislavski,
tentaram convencê-lo a escrever e publicar o resultado de suas experiências
no Teatro de Arte de Moscou. Dificuldades várias e uma certa relutância
da parte de Stanislavski em fixar em termos definitivos o que ele
considerava uma busca sempre ativa de novas formas e pontos de vista,
adiaram a realização desse projeto. Ele não queria escreve uma gramática
inalterável, pois o sistema não tem como finalidade criar uma espécie
de receituário para interpretação de certos papéis. Temia estabelecer
regras que pudessem parecer rígidas. Finalmente, diante da possibilidade
de que estes escritos viessem estimular outros artistas a prosseguir
nessas pesquisas, decidiu-se. Em 1930, depois de uma grave enfermidade, na
Rússia, Stanislavski foi passar as férias no Sul da França, em
companhia dos seus amigos, os Hapgood. Aí, ele esboçou os dois primeiros livros que deveriam, segundo o
seu desejo, ser editados ao mesmo tempo para servir de guia primeiro,no
trabalho de preparação interior do ator, e segundo, no aproveitamento
das técnicas exteriores pra a criação do personagem sobre a cena.
Voltou à Rússia e continuou escrevendo, desenvolvendo o material que
viria compor o primeiro volume, ou seja, A Preparação do Ator. Este
primeiro original foi enviado aos Estados Unidos, traduzido por Elizabeth
Hapgood e editado por Teatre Arts Books, em 1936, dois anos antes que este
mesmo livro fosse publicado na Rússia. Ele diz respeito ao trabalho
interior do artista, particularmente do ator, exercitando o seu espírito
e a sua imaginação. Escreve E. Happgood na sua nota de introdução à
primeira edição deste livro em língua inglês: “Não pretende ter
inventado coisa alguma. O autor é o primeiro a mostrar que os gênios
como Salvini e Duse usava, sem teoria, as emoções e as expressões
exatas, que aos menos inspirados é preciso ensinar. O que Stanislavski
pretendeu não foi descobrir uma verdade, mas tornar a verdade acessível
aos atores e diretores de talento, dispostos a enfrentar o necessário
treinamento”. Os exemplos apresentados pelo autor neste livro são
simples e podem ser adaptados às necessidades dos atores, em qualquer país.
Em carta e numa visita que E. Hapgood fez a Stanislavski em 1937, este lhe
falou a respeito do assunto que iria constituir o segundo volume – A
Composição do Personagem, onde travava das chamadas técnicas exteriores
– treinamento do corpo e trabalho rigoroso da voz, ambos, instrumentos
com que o artista no palco expressa convincentemente o que ele também
desenvolveu na etapa de sua criação interior. Nessa mesma época, ele
trabalhava também nos apontamentos de montagem de Otelo de Shakespeare.
Mas ambos os originais ainda não se encontravam em ponto de publicação.
Trabalhou neles até sua morte, no ano seguinte. Foi somente depois da
Segunda Guerra Mundial que E. Hapgood recebeu, do filho do autor, o
original de A Composição do Personagem. Esse atraso de treze anos entre
a publicação do primeiro e do segundo livro acarretou sérias
incompreensão e falsas interpretações por parte de muitos. Esses dois
livros correspondem aos trabalhos a serem efetuados numa mesma fase de
formação do artista. Até hoje, muita gente se concentra no conteúdo do
primeiro volume, na pesquisa interior, evitando e mesmo desprezando a
outra parte, a do segundo volume, igualmente importante e que trata da
criação do personagem em termos físicos, de voz e fala, de movimento,
de gesto, tempo e rítmo, e da visão total e perspectiva de uma peça ou
de um personagem. Stanislavski considerava importante a formação total
– intelectual, espiritual, física, emocional. O seu sistema além de
ser uma técnica artística é também uma técnica para uma melhor compre
entre os homens. Deve interessar não somente aos atores e diretores de
Teatro, mas a qualquer um que trabalhe em coletividade. São sete os
volumes publicados em inglês que encerram as obras de Stanislavski.
As
obras completas de Stanislavski foram editadas em inglês em sete volumes,
com títulos diversos. Uma edição oficial foi realizada na Rússia.
Somente em 1947 os dois livros básicos de Stanislavski foram traduzidos e
publicados na Itália. Pela mesma época A Preparação do Ator foi
editado na França, com prefácio de Jean Vilar. Existe uma tradução
espanhola dessa obra e outra em português, editada em Portugal. Os últimos
livros de Stanislavski encerram importantes capítulos sobre o teatro lírico,
o melodrama e a farsa. Também dizem respeito à criação de um teatro
popular. Stanislavski escreveu: “Estamos tentando criar o primeiro
teatro popular”. O seu exemplo será útil ao nosso teatro brasileiro. E
a publicação das suas obras constitui um passo decisivo para o
esclarecimento dos problemas básicos da preparação do ator. Fonte
A preparação do Ator (Civilização Brasileira) Autor e Obra Martim Gonçálves |